Lamento profundamente as mortes que ocorreram nestes acidentes e deixo as minhas sinceras condolências às famílias.
Vou apenas dar a minha opinião pessoal sobre o que penso das causas dos acidentes na A25 e deixar algumas "sugestões" para eventualmente ajudar a reduzir o risco de acidente. Para quem conhece o local das Talhadas, sabe que em condições atmosféricas adversas como estavam ontem (nevoeiro e alguma chuva) a A25 desde o Carvoeiro (onde passa o rio Vouga) até Reigoso, é complicada a condução devido à extrema falta de visibilidade.
Em condições normais e apesar de algumas inclinações acentuadas devido ao terreno e curvas perigosas (apesar de não ser técnico de estradas, não percebo porque não foram minimizadas na transformação do IP5 em A25) onde o limite máximo de velocidade fixado é de 100Km/h, considero a A25 uma estrada relativamente segura (penso que este ano, nesta AE, este acidente é o primeiro com vítimas mortais), excepto algumas zonas que necessitavam de ser intervencionadas urgentemente para melhoria da segurança e para com a aproximação do Inverno uma tragédia semelhante não volte a acontecer.
Uma delas é esta que necessitava de ter algo que melhorasse a visibilidade e os limites da AE com nevoeiro, por exemplo:
- A colocação de iluminação numa zona mais alargada em vez de ser só na saída das Talhadas ou a colocação de sinalização luminosa de forma a que fosse possível ter a noção onde "são os limites" da AE;
- A pintura frequente das marcas horizontais, porque nesta AE, em alguns sítios é pouco visível;
- Um radar controlo velocidade (é uma zona de 100Km/h infringida por muitos condutores) e com nevoeiro podia mesmo baixar para outro valor;
- Um painel informativo no sentido Aveiro-Viseu a alertar para eventuais perigos e conselhos;
- Outros sistemas que pudessem melhorar a segurança.
A outra zona é entre Vouzela e a saída para S. Pedro do Sul que também é zona de 100Km/h, mas que raramente é respeitada e com as mesmas condições atmosféricas é igualmente perigosa.
Este acidente teve ainda uma série de factores que contribuíram para uma situação anómala, desde o mau tempo e porventura há falta de prudência por parte de alguns condutores, as condições da estrada, porque toda a gente devia saber que as "primeiras chuvas" misturadas com óleos da estrada são autenticas armadilhas, mas sobretudo a falta de civismo e respeito pelos outros condutores. Tudo isto combinado criou efectivamente um cenário de "horror", numa auto-estrada que nada tem haver com o antigo IP5, este sim com frequentes cenários de horror quase diários que ceifaram muitas vidas, mas que necessita de uma análise séria e medidas urgentes para que acidentes deste género não voltem a acontecer!
Em Sever do Vouga, a estrada para a A25 esteve cortada e o trânsito era desviado pelas autoridades para a EN16 que atravessa Oliveira de Frades, S. Pedro do Sul e aí pode-se retomar novamente a A25 em direcção a Viseu. Foi um verdadeiro teste à capacidade desta estrada nacional (e também o caos) e quem acha que esta estrada é uma alternativa à A25 quando decidirem colocar portagens, deveria ter feito a viagem nestas condições. A cada curva mais apertada em que um camião TIR e um veículo ligeiro tinham de se cruzar, era necessário parar todo o trânsito na faixa do ligeiro para o camião passar e só depois retomar a marcha até à curva seguinte e esperar que em sentido contrário não viesse outro pesado para prosseguir lentamente. Aposto que os governantes que vieram ao local do acidente não passaram por aqui!
Agora resta-nos lamentar o sucedido! Lembro que os acidentes "não acontecem só aos outros" e que o velho ditado "devagar se vai ao longe" faz mais sentido do que nunca para quem circula na estrada... agora e sempre.



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