Quem já percorreu a nova ecopista do Dão e passou por Canas de Santa Maria, com certeza não ficou indiferente a um antigo monumento que ali existe de aspecto medieval.
Trata-se da Igreja Velha de Santa Maria e enquanto a contemplava e tirava umas fotos, tive a curiosidade de saber um pouco mais sobre a sua história. Vai daí perguntei a um senhor que entretanto ali passava (peço desculpa, mas não tive o cuidado de perguntar o seu nome) se me sabia explicar que monumento era aquele. Confesso que tive sorte, pois o homem sabia muito sobre este local!
Começou por contar que aquela foi durante muitos anos a igreja matriz de Canas e que foi mandada construir pela rainha D. Mafalda, mulher de D. Afonso Henriques. Quando me disse isto, voltei a olhar para a igreja e a imaginar como seria viver ali e nas redondezas na Idade Média! Por vezes vamos visitar monumentos "conhecidos" longe e nem nos apercebemos que perto existem outros igualmente belos com histórias ou lendas interessantíssimas.
Continuou a explicar que da igreja original, apenas resta a fachada e que nos anos 70 decorreram ali obras de restauro, mas estava já demasiado degradada e tiveram de proceder à demolição da nave.
Quando foi construída a nova igreja matriz, levaram para lá o magnífico sacrário de pedra de Ança feito por artistas em Coimbra.
Presentemente, o interior do adro serve para arrumos e colocação de algumas cabeceiras de sepultura antigas, dado que antigamente existiu ali um cemitério que servia não só para enterrar os mortos da povoação como das aldeias vizinhas que não tinham cemitério. Exemplo disso, era quando morria alguém na aldeia vizinha da Lageosa, existia algures no meio dos montes um penedo com uma sineta que era tocada para que ali soubessem que morrera alguém e ali iria ser enterrado. Disse-me ainda que sempre que há ali escavações, como quando foi para retirar as oliveiras vendidas em leilão, o senhor que as comprou rogou-o para que ajudasse no seu arranque e nessa altura ainda encontrou ali ossadas e outros artefactos do antigo cemitério.
Presentemente, o interior do adro serve para arrumos e colocação de algumas cabeceiras de sepultura antigas, dado que antigamente existiu ali um cemitério que servia não só para enterrar os mortos da povoação como das aldeias vizinhas que não tinham cemitério. Exemplo disso, era quando morria alguém na aldeia vizinha da Lageosa, existia algures no meio dos montes um penedo com uma sineta que era tocada para que ali soubessem que morrera alguém e ali iria ser enterrado. Disse-me ainda que sempre que há ali escavações, como quando foi para retirar as oliveiras vendidas em leilão, o senhor que as comprou rogou-o para que ajudasse no seu arranque e nessa altura ainda encontrou ali ossadas e outros artefactos do antigo cemitério.
Existe também ao lado desta igreja o "passal" também em ruínas que era a antiga residência do padre, e que motivou desentendimentos na população, porque segundo disse o meu "historiador canense" o padre e um proprietário abastado teriam chegado a acordo para a venda e colocação dum muro que diminuiu muito o adro da igreja.
Presentemente este magnífico exemplo de Arquitectura Religiosa está classificado pelo IGESPAR (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico) como Monumento Nacional, mas isto não impede o seu estado de parcial abandono e vandalismo como se pode comprovar pelos grafites de muito mau gosto que existem nas traseiras da igreja.

Era bom que as entidades fizessem algo pelo local e pelo monumento, tratando-se de um ponto que faz parte de alguns roteiros turísticos e futuramente local de passagem de ciclistas e pessoas na ecopista do Dão. Pelo menos a limpeza do adro e porventura a pintura da igreja poderiam ser o começo do seu restauro!

Era bom que as entidades fizessem algo pelo local e pelo monumento, tratando-se de um ponto que faz parte de alguns roteiros turísticos e futuramente local de passagem de ciclistas e pessoas na ecopista do Dão. Pelo menos a limpeza do adro e porventura a pintura da igreja poderiam ser o começo do seu restauro!


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