Quarta-feira, 5 de Maio de 2010

5 de Maio - Dia Mundial do Trânsito

Em condições normais, sinceramente este era um daqueles "dias mundiais" que me passaria ao lado, não fosse o facto de estar relacionado com um assunto que gosto de esmiuçar - trânsito.

Esta efeméride visa chamar a atenção e sensibilizar as pessoas (miúdos e graúdos) para a problemática da segurança nas estradas com o objectivo de reduzir o elevado número de vítimas em acidentes de viação.

São muitas as campanhas realizadas em prol deste tema, a supressão dos famosos "pontos negros" e melhores estradas são construídas o que ajuda a melhorar a segurança, acções de fiscalização e "repressão" por parte das autoridades, formação e educação das crianças, entre outras. Já é alguma coisa, mas infelizmente ainda não o suficiente para diminuir a elevada sinistralidade.

Num "mundo ideal" teríamos uma taxa de ZERO acidentes e ZERO vítimas, mas o andar no trânsito, seja veículo ou peão, comporta e acarreta uma série de riscos que não permitem atingir este objectivo. Cabe-nos então como responsáveis o dever de cumprir com as regras e sinalização de trânsito que constam no Código da Estrada a fim de ajudar a reduzir a valores mínimos esta trágica calamidade.

Para além das principais causas que contribuem para a sinistralidade rodoviária, como são o excesso de velocidade e o álcool, há outros factores como estradas mal construídas ou com grandes deficiências como foram exemplos flagrantes a construção dos Itinerários Principais (IP3, IP4 e IP5) e a deficiente sinalização rodoviária existente.

Há alguns anos, depois dum sinistro automóvel que tive, do qual fui considerado culpado, mas que moralmente não me considero, resolvi prestar mais atenção aos pormenores da sinalização.
Foi assim que me apercebi, numa boa parte deste país a sinalização rodoviária existente, no geral é considerada medíocre, com importância diminuta, mal colocada ou colocada muitas vezes por pessoas ou entidades sem qualquer formação para o fazer, em alguns casos chega mesmo a ser patética. Quando é "bem" colocada, fica entregue ao seu destino ao longo do tempo, sem manutenção e por vezes quando um sinal desaparece ou é roubado, raramente é reposta a situação original, criando assim mais "pontos negros" que podem ou não ser graves dependendo das situações.

Há sempre as "boas" excepções, como por exemplo o distrito da Guarda que pretende criar uma linha telefónica para avisos de problemas nas estradas para que sejam as próprias pessoas directamente a sinalizar os perigos que encontram na via público.

OS PRINCÍPIOS BÁSICOS DA SINALIZAÇÃO
A sinalização para ajudar o condutor e para que as indicações que transmite sejam respeitadas, deve ser ela mesma respeitável, sendo compreensível e credível, isto é adequada à situação e coerente com o ambiente em que se integra.
Deve favorecer a legibilidade da via e ser atempada, fornecendo ao condutor todas as informações de que necessita, no momento em que são necessárias e no seu campo de observação.
Para tanto deve ser bem concebida, o que só pode ser conseguido mediante o trabalho de especialistas baseado em normativos sólidos, devendo ainda ser correctamente colocada e conservada.
Uma sinalização bem concebida deve:
- ser uniforme, o que é condição necessária à sua compreensão por todos;
- ser homogénea, permitindo ao condutor apreender imediatamente o contexto em que se insere, a sua situação e ainda tratar a informação nas melhores condições de segurança possíveis;
- ser simples, facilitando o trabalho do condutor;
- garantir a continuidade da informação transmitida, quando se trata de sinalização de orientação;
- ser coerente com a prática e com as regras de circulação.

in Sinalização Vertical de Carlos de Almeida Roque

Este livro é uma espécie de bíblia sobre sinalização rodoviária e deveria ser OBRIGATÓRIA a sua leitura e aplicação prática por todas as entidades responsáveis pela sinalização de estradas!
Lamentavelmente, neste país são muito poucas as entidades que se preocupam com esta matéria, quase sempre concessionárias de A.E. e algumas (muito poucas) autarquias.

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