Quinta-feira, 29 de Abril de 2010

Coisas da vida e engenhocas à "tuga"

Se há algo na vida que gosto de fazer são "coisas de informático". Num curso técnico-profissional de Informática de Gestão (no tempo onde efectivamente se aprendiam coisas) que enveredei por acaso em 1991 e que me deu a teoria e alguma prática que depois aperfeiçoada ao longo dos anos, me permite hoje tratar um equipamento informático por "tu".

No frenético "mundo do trabalho", quis o destino que por algum tempo o curso que tinha tirado fosse deixado em "stand by", e acabei por aproveitar uma oportunidade que me levou a conhecer uma outra profissão da qual não sabia muito e se calhar foi isso mesmo que me levou a aceitar ser responsável pelo departamento de Metrologia numa empresa ligada ao fabrico de moldes e injecção de plásticos.

Mas ao fim de 13 anos na mesma empresa, também pela irreverência da idade profissional de "teenager" achei que era altura de voltar a aproveitar nova oportunidade, desta vez como técnico de informática numa empresa na qual presentemente gosto de trabalhar, com bom ambiente de trabalho, alguns colegas chatos (na prática resume-se a uma pessoa ;-), mas com muito boa camaradagem e sentido de entre-ajuda.

Entre os muitos casos que nos aparecem diariamente, vou contar um que nos aconteceu de resolução moderadamente fácil e que poupou à empresa mais de 5 mil euros.

A informação é provavelmente o bem mais vital em informática! Se é relativamente fácil substituir um disco rígido avariado, já recuperar a informação que ele contém pode ser uma "dor de cabeça" dependendo do tipo de avaria. Manda o bom senso que para evitar estas situações, se faça periodicamente cópias de segurança para dispositivos externos para salvaguardar a informação contida no PC.

Se este procedimento é facultativo para um utilizador doméstico, já para uma empresa é uma obrigatoriedade! A empresa onde trabalho possui vários servidores e cada um deles tem um dispositivo denominado autoloader para os quais são feitos diariamente cópias de segurança.
Ora um belo dia, um desses autoloaders estava "morto". Azar dos azares, fora de garantia e fora de qualquer contrato de manutenção! Depois de contactar o representante da marca o orçamento dado para a reparação era superior ao custo de um equipamento novo, ou seja um valor acima dos 5 mil euros.

É aqui que surge a capacidade de improviso e engenho "tuga". Como o equipamento não dava qualquer sinal de vida, a nossa primeira suspeita era fonte de alimentação avariada, mas como não o conhecíamos internamente, lá tomámos a iniciativa de esmiuçar o autoloader, coisa que se revelou mais simples do que estávamos à espera.

Ao fim de algum tempo lá chegámos à dita fonte de alimentação que foi retirada e analisada pelos qualificados técnicos do departamento de manutenção. O diagnóstico confirmou-se... estava "morta". Dada a especificidade do componente (componentes de marcas proprietárias são uma chatice), a solução passou por ver as suas características (voltagens, amperes, etc.) e olhar para o que se tem em stock para encontrar algo semelhante. Desta vez, a sorte esteve do nosso lado, pois a primeira opção encaixava (não fisicamente) nas características técnicas desejadas e após experimentação da mesma no autoloader este funcionava. E aqui é que está o engenho "tuga", fazer algo que um alemão nunca se atreveria a fazer! Já que encaixar a fonte de alimentação nova não era factível no autoloader, a solução foi simples... colocá-la no exterior!

E não é que ao fim deste tempo, o autoloader duma marca e a fonte de alimentação duma outra marca continuam a trabalhar em conjunto... ainda sem problemas (knock knock na madeira).

2 comentários:

Anabela disse...

Hum...nem parece teu!
Gostei daquela parte da fase "teenager"... a fase em que te tornaste o "professor Pardal" lá do sitio.
Continua a engenhar! E não te esqueças de passar essa herança aos teus filhos, nunca se sabe o futuro e a série do MacGyver já deixou de passar na televisão ha muito!

Eu Por Cá disse...

Essa do "teenager" foi também inspiração dum ex-colega nosso, por sinal muito bem encaminhado para ser o próximo presidente de junta lá do sítio :-).
Sobre os filhos, o mais velho já inventa mais do que deve, o outro ainda está na fase de aprendizagem!
Beijinhos, até um dia destes "miguita".